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 Manuel da Fonseca

 

(Santiago do Cacém, 15/10/1911 – 11/03/1993)

 

 

Manuel da Fonseca (nome constante da certidão de nascimento: Manuel Lopes Fonseca) nasceu em Santiago do Cacém a 15 de Outubro de 1911, no seio de família oriunda de Castro Verde e de Cercal do Alentejo, “numa casa de rés-do-chão, defronte das Escadinhas da Senhora do Monte, com uma larga vista que corre por um grande vale até ao mar”. [1]

 

Depois da instrução primária, foi para Lisboa continuar os seus estudos, tendo frequentado o Colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões, a Escola Lusitânia e a Escola de Belas-Artes. Nas férias, regressava a Santiago do Cacém (Cerromaior, nas suas obras). Dizia que Lisboa levou-o “a gostar ainda mais do Alentejo, do meu Alentejo. Tudo é o contrário desse Alentejo, e por isso eu aprendi a gostar ainda mais dele.”[2]

 

Exerceu actividades muito diversificadas, na área do comércio, da indústria, da imprensa e da publicidade. Dedica-se também ao desporto (futebol, espada , florete e até boxe). Afirmou: “Comecei a escrever porque de tudo o que já experimentara era o melhor que fazia.”[3]

 

A sua obra é fortemente autobiográfica, pois as personagens e a realidade que recriou estão intimamente ligadas a experiências vividas. “Respirando e vivendo as memórias do Alentejo, este é, na verdade, parte de um todo, e Santiago é o espaço do conhecimento e tempo da revelação, memórias indeléveis do seu primeiro mundo. A infância, a adolescência e o mítico Largo serão condicionantes da sua criatividade, observáveis em qualquer dos seus livros.”[4]

 

“É de notar (…) a limpidez das imagens, sem retórica ideológica (apesar de a ideologia lá estar, no interior da mensagem do poema), sugerindo todo um microcosmo único de beleza natural, a do Alentejo, e também de pequenas frustrações sociais quotidianamente sentidas, em segredo.”[5]

 

Foi um dos pioneiros da poesia neo-realista, com a publicação em 1940 de Rosa dos Ventos, e um dos mais notáveis contistas do Neo-Realismo.

 

Dedicou-se também ao romance, com Cerromaior e Seara de Vento. Escreveu ainda para vários jornais.

 

Faleceu a 11 de Março de 1993 e repousa no cemitério do Castelo de Santiago do Cacém.

 

Obras [6]: Rosa dos Ventos, poesia, 1940; Planície, poesia, 1941; Aldeia Nova, contos, 1942; Cerromaior, romance, 1943; O Fogo e as Cinzas, contos, 1951; Nortada, contos; 1952; Seara de Vento, romance, 1958; Poemas Completos (inclui: Rosa dos Ventos, Planície e Poemas Dispersos), 1958; Um Anjo no Trapézio, contos, 1968; Tempo de Solidão, contos, 1973; Antologia de Fialho de Almeida, 1984; Crónicas Algarvias (crónicas de viagem publicadas já anteriormente em A Capital, de 1 a 16 de Agosto, 1968), 1968. Os seus contos foram profusamente publicados no estrangeiro e em antologias nacionais.



[1] In Manuel da Fonseca: O escritor igual ao homem, pequeno texto de Artur da Fonseca, 2004

[2] In Expresso, 20 de Março de 1993 (data da publicação da sua última entrevista)

[3] Ibidem

[4] In Dicionário Cronológico de Autores Portugueses Volume IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Mem Martins: Publicações Europa-América, 1998, pp.458-459.

[5] In Dicionário de Literatura Portuguesa, organização e direcção de Álvaro Manuel Machado, Lisboa: Editorial Presença, 1996, p. 200.

[6] In Dicionário Cronológico de Autores Portugueses Volume IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Mem Martins: Publicações Europa-América, 1998, p. 461.

 

 

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