(Santiago do Cacém, 15/10/1911 – 11/03/1993)
Manuel da Fonseca (nome constante da certidão de nascimento: Manuel Lopes Fonseca) nasceu em Santiago do Cacém a 15 de Outubro de 1911, no seio de família oriunda de Castro Verde e de Cercal do Alentejo, “numa casa de rés-do-chão, defronte das Escadinhas da Senhora do Monte, com uma larga vista que corre por um grande vale até ao mar”.
Depois da instrução primária, foi para Lisboa continuar os seus estudos, tendo frequentado o Colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões, a Escola Lusitânia e a Escola de Belas-Artes. Nas férias, regressava a Santiago do Cacém (Cerromaior, nas suas obras). Dizia que Lisboa levou-o “a gostar ainda mais do Alentejo, do meu Alentejo. Tudo é o contrário desse Alentejo, e por isso eu aprendi a gostar ainda mais dele.”
Exerceu actividades muito diversificadas, na área do comércio, da indústria, da imprensa e da publicidade. Dedica-se também ao desporto (futebol, espada , florete e até boxe). Afirmou: “Comecei a escrever porque de tudo o que já experimentara era o melhor que fazia.”
A sua obra é fortemente autobiográfica, pois as personagens e a realidade que recriou estão intimamente ligadas a experiências vividas. “Respirando e vivendo as memórias do Alentejo, este é, na verdade, parte de um todo, e Santiago é o espaço do conhecimento e tempo da revelação, memórias indeléveis do seu primeiro mundo. A infância, a adolescência e o mítico Largo serão condicionantes da sua criatividade, observáveis em qualquer dos seus livros.”
“É de notar (…) a limpidez das imagens, sem retórica ideológica (apesar de a ideologia lá estar, no interior da mensagem do poema), sugerindo todo um microcosmo único de beleza natural, a do Alentejo, e também de pequenas frustrações sociais quotidianamente sentidas, em segredo.”
Foi um dos pioneiros da poesia neo-realista, com a publicação em 1940 de Rosa dos Ventos, e um dos mais notáveis contistas do Neo-Realismo.
Dedicou-se também ao romance, com Cerromaior e Seara de Vento. Escreveu ainda para vários jornais.
Faleceu a 11 de Março de 1993 e repousa no cemitério do Castelo de Santiago do Cacém.
Obras : Rosa dos Ventos, poesia, 1940; Planície, poesia, 1941; Aldeia Nova, contos, 1942; Cerromaior, romance, 1943; O Fogo e as Cinzas, contos, 1951; Nortada, contos; 1952; Seara de Vento, romance, 1958; Poemas Completos (inclui: Rosa dos Ventos, Planície e Poemas Dispersos), 1958; Um Anjo no Trapézio, contos, 1968; Tempo de Solidão, contos, 1973; Antologia de Fialho de Almeida, 1984; Crónicas Algarvias (crónicas de viagem publicadas já anteriormente em A Capital, de 1 a 16 de Agosto, 1968), 1968. Os seus contos foram profusamente publicados no estrangeiro e em antologias nacionais.