População: 1107 habitantes (Censos 2001)
Área: 137,7 km2
Localização
Saindo de Santiago do Cacém, tomando a EN121 e, a cerca de 13 km, voltando à direita, encontra-se Abela, povoação com arquitectura popular. Limita-se com as freguesias de São Domingos, São Bartolomeu e Ermidas. Fazem parte da freguesia: Abela, Arealão, Cova do Gato, Outeiro do Lobo, Boticos e Foros do Barão.
História
Nesta área foram encontrados vestígios de ocupação da Idade do Bronze, de que se destaca uma tampa de sepultura insculturada, com a representação de uma espada presa a um cinturão, uma alabarda encabada e uma figura ancoriforme, encontrada na herdade das Pereiras. Durante a ocupação romana, a quinta de Corona foi um local dedicado à exploração agrícola tendo sido encontrada neste período uma ara, embora de actualização incerta.
Na Idade Média, foi ocupada primeiro pelos mouros, como atestam numerosos topónimos ligados à posse da terra, aos quais se juntaram, no período cristão, outras designações onomásticas que remetem para a propriedade fundiária ligada à Ordem de Santiago, como Mendo Afonso ou Mendo Afonsinho.
Em 1758 possuía cerca de 615 almas, uma igreja com cinco altares, com três irmandades confirmadas – Nossa Sr.ª da Abela, Nossa Sr.ª do Rosário e das Almas – e um pároco que era freire professo da Ordem de Santiago. A antiga igreja estava constantemente sujeita às cheias da ribeira – chamada pelo pároco "da Abella" –, que muitas vezes lhe entravam dentro e a arruinavam. Esta mesma ribeira movia ao longo da sua passagem pela freguesia quatro moinhos de água.
Era prior da Abela no ano de 1866, o padre António de Macedo, que se dedicou ao estudo do concelho, publicando os Annaes do Município de Sant'yago de Cassem. Segundo o padre António Macedo, em 1863 esta freguesia tinha mil habitantes, dos quais só 28 sabiam ler. Era fértil em cereais e abundante em montados, gado, colmeias e caça.
Em 1956, José Manuel Landeiro escreve, no Guia do Forasteiro, que "esta povoação, uma das mais florescentes do concelho, há cerca de 30 anos ainda se encontrava dividida pelo ribeiro de Olheiros, em cujas margens apenas se viam dispersas, umas reduzidas dezenas de moradias. Hoje, porém, do referido ribeiro, na parte principal da aldeia, quase não aparecem vestígios e com a abertura de novas ruas e novas construções de belíssimos prédios, contam-se por mais de 150, o número de fogos dentro do seu perímetro".
Que na herdade de Corona existia uma Ermida dedicada a São Brissos, hoje desaparecida, muito antiga cujo orago se festejava no dia 30 de Novembro com muita concorrência de devotos, porque "o Santo é advogado das sezões em que a freguesia era muito abundante". São Brissos foi terceiro bispo de Évora, no ano de 305, depois de Jesus Cristo.
O seu cemitério foi construído no ano de 1871. Três anos mais tarde foi aberta ao trânsito a estrada entre Santiago do Cacém e Abela.
Nesta freguesia nasceu o Coronel Carlos Vilhena, aderente inicial da política do Estado Novo, que posteriormente veio a combater. O seu espólio encontra-se no Arquivo Municipal.