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 Freguesia de Alvalade

 

População: 2315 habitantes (Censos 2001)
Área: 162 km2

 

Localização
A vila e freguesia de Alvalade, do concelho de Santiago do Cacém, está situada no planalto que separa o vale do Sado do vale de Campilhas. Pode-se chegar a Alvalade saindo do IC1 (ligação entre Lisboa e o Algarve) junto da Mimosa. Pertencem a Alvalade os lugares do Carapetal, Daroeira, Conqueiros, Mimosa, Vale de Lobo, Borbolegas, Fontainhas e outros pequenos pontos habitados.

 

História
A presença humana na área que compreende hoje a freguesia de Alvalade está documentada arqueologicamente a partir do Neolítico, tendo igualmente registos e achados da Idade do Bronze, da época romana, da época visigótica, e, enquanto povoação mais ou menos organizada, deve a sua fundação à ocupação muçulmana na primeira metade do século IX.


O topónimo Alvalade provém da palavra árabe al-balad, que significava lugar murado, e faz supor que o pequeno núcleo urbano fundado terá sido inicialmente fortificado.


No ano de 933, o rei Ramiro II, de Leão, doou ao mosteiro do Lorvão, duas terças partes "d'esta Villa d'Alvalat et su senra", em cuja época, como aqui se constata, já detinha o título de Vila. Durante a Reconquista, só após a tomada de Aljustrel, em 1234, por Sancho II, é que Alvalade se tornou terra definitivamente cristã.


Em 1273, D. Afonso III, entre outros domínios, fez a doação de Alvalade à Ordem de Santiago da Espada, que algum tempo depois fez deste território uma das suas comendas. Em 20 de Setembro de 1510, o rei D. Manuel I concedeu foral a Alvalade, tornando-a um pequeno concelho com alguma independência administrativa e judicial. Nesta altura foi erigido o pelourinho e colocado no centro da Praça D. Manuel I, na época o centro nevrálgico da vila.


Na primeira contagem (Numeramento) da população de Portugal, efectuada entre 1527 e 1532, ordenada pelo rei D. João III, o concelho de Alvalade regista cerca de 580 habitantes. Em finais do século XVII, foi criada a freguesia do Roxo, que passou a integrar o concelho de Alvalade. Nos inícios de 1755, a vila de Alvalade possuía 275 fogos e 1208 habitantes.


O terramoto de 1 de Novembro de 1755 também se fez sentir fortemente em Alvalade, provocando a derrocada da maior parte dos edifícios públicos da vila e grande número de habitações. Pior que o terramoto foram os acontecimentos provocados pela Revolução Liberal. Em 9 de Outubro de 1831, a vereação da Câmara de Alvalade, reunida em sessão extraordinária, jurou fidelidade ao rei D. Miguel I.


No dia 18 de Julho de 1833, na sua marcha sobre Lisboa, o Duque de Terceira entrou em Alvalade e, após reunir a vereação, o clero, e os demais representantes dos alvaladenses, estes sob coacção, renunciaram o auto de 9 de Outubro e declaram o seu apoio a D.ª Maria II. Após a vitória militar do Partido Liberal, e convencionados os acordos de Évora-Monte, o rei D. Miguel I já deposto e destronado, passou e pernoitou em Alvalade no dia 31 de Maio de 1834, quando efectuava o percurso a caminho de Sines, de onde viria a partir para o seu último exílio.


A implantação do Liberalismo provocou nova reforma administrativa do território nacional e o concelho de Alvalade foi extinto em 6 de Novembro de 1836, tendo sido incorporado como freguesia no concelho de Messejana. Em 1854 foi construído o actual cemitério da vila, para o qual se despenderam na altura 180 mil réis. Em 24 de Outubro de 1855, foi extinto o concelho de Messejana e a freguesia de Alvalade foi transferida para o concelho de Aljustrel.


Os efeitos da Revolução Liberal e a extinção do concelho provocaram a perda de metade da população, e em 1860 Alvalade tinha apenas 620 habitantes e 180 fogos. Em 4 de Julho de 1861, foi extinta a Santa Casa da Misericórdia de Alvalade e todos os seus bens são confiscados e incorporados na Casa Pia de Beja. No dia 18 de Abril de 1871, a freguesia de Alvalade mudou novamente de administração concelhia, passando desde então a pertencer ao concelho de Santiago do Cacém.


Em 23 de Agosto de 1914, chegou pela primeira vez o comboio a Alvalade e foram inauguradas as estações de caminho-de-ferro e do telégrafo-postal. Em 1916 foi adquirido e colocado um relógio de fabrico nacional na torre sineira da igreja matriz. Em 1918, a Companhia dos Caminhos-de-Ferro Portugueses construíram o lavadouro e fontanário da Bica.


Em 1924 foi instalada a Guarda Nacional Republicana. No dia 24 de Abril de 1953, Ermidas-Sado (desde 1915 uma aldeia da freguesia de Alvalade) conseguiu o estatuto de freguesia e desvinculou-se de Alvalade, levando também a aldeia de Ermidas (que também era um pequeno povoado do concelho de Alvalade desde o século XVI) para o seu domínio administrativo. A partir de 1 de Abril de 1959, Alvalade passou a ter serviço telefónico.


Em 1995, tendo perdido o título de vila com a supressão do concelho, Alvalade foi elevada novamente à categoria de vila.
Presentemente, Alvalade caminha, ainda que lentamente, para algum desenvolvimento, depois de ter sofrido o impacto do encerramento das suas duas principais unidades fabris (Orisul e Incontal), com uma economia ainda com uma determinante componente agrícola, mas também sustentada nas áreas do pequeno comércio, indústria, e na prestação de serviços.

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