População: 3882 habitantes (Censos 2001)
Área: 137,45 km2
Localização
Fica a 29 km da sede do município, com ligação pela EN120. É a freguesia mais a sul do concelho. Vila tipicamente alentejana com centro histórico de grande interesse. Rodeada por muitas quintas de pequena dimensão (designadas por cercas), situa-se próximo da barragem de Campilhas e da quinta da Mandorelha, local de grande beleza natural. Nesta freguesia situa-se a serra da Guarita, onde existia uma mina de extracção de ferro. É constituída pelos lugares de: Sonega, Catifarras, Pouca Farinha, Aldeia do Cano, Chaparral, Espadanal, Casas Novas e Silveiras.
História
O nome desta povoação deriva da palavra latina quercalu, que significa carvalho, certamente por existir, noutros tempos, grande quantidade desta árvore. Encontram-se, na área da freguesia, bastantes áreas de interesse arqueológico, denotando uma ocupação desde a Pré-história até à romanização, com variados vestígios (candeias, anéis, tijolos, telhas, braceletes, machados, ferros de lanças e vasos lacrimatórios). As sepulturas são abundantes, tendo havido notícia de 14 na herdade da Fonte Santa, em 1929, cujo espólio foi recolhido por frei Manuel do Cenáculo, encontrando-se actualmente no museu de Évora.
Da ocupação romana do território existem muitas escórias que evidenciam exploração mineira, nomeadamente cobre e ferro. Na Idade Média e época da reconquista, o Cercal estava sob o domínio da Ordem de Santiago. A aldeia do Cercal, cuja primeira referência escrita data de 1274, constituiu-se como núcleo populacional de trabalhadores rurais, ao contrário do que é habitual o núcleo urbano primitivo não se desenvolve à volta da igreja, só mais tarde rodeada pelo povoado formado por edificações de carácter mais urbano e burguês.
Em 1836 foi criado o concelho de Cercal do Alentejo, extinto no ano de 1855, em que passou a pertencer como freguesia ao concelho de Odemira e em 1875, por decreto régio, passou para o concelho de Santiago do Cacém. Segundo o inquérito elaborado pelo Marquês de Pombal (memórias paroquianas), após o terramoto de 1755, a povoação dispunha de 240 fogos, com um total de 810 pessoas.
A população congregava-se em quatro irmandades, todas com assento na igreja matriz, da invocação de Nossa Senhora da Conceição, onde cada uma dispunha de um altar, à excepção do Santíssimo Sacramento: Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário e das Almas. Era nesta altura o Cercal do Alentejo rodeado de "vastíssimos montados de sobro e grandes lezírias" produzindo as suas terras "copiosa colheita de trigo".
No século XIX, deu-se um desenvolvimento potenciado pela nova estrada de ligação a Santiago do Cacém, que Pinho Leal dá como aberta em 1870, e também pelo incremento na exploração mineira, de que aparecem os primeiros registos em 1874, referentes à descoberta de novos minérios como barita, manganês e manganite. A maior exploração foi contudo de ferro, havendo cinco minas nesta freguesia – cerro da Fonte, Santa de Cima, Toca do Mocho, serra da Mina, serra das Tulhas e serra de Rosalgar. As minas cessaram a sua actividade em 2000, lançando no desemprego os seus trabalhadores.
Em 1904, o Cercal tinha 666 fogos, com um total de 2774 habitantes, dispondo já de escolas de ambos os sexos, farmácia, médico e estação postal. Nas primeiras décadas instalou-se igualmente o posto do registo civil, telefone, agência bancária e automóveis de aluguer, embora as ruas não fossem pavimentadas. Exportava cortiça e fruta. Uma fábrica de moagem dava o seu contributo para o desenvolvimento da terra. Pelo Censos de 1920 o número de fogos aumentara para 861 e os moradores para 3885.
É desta altura que data (1921) o abastecimento público de água, proveniente, tal como hoje, da fonte Santa. O núcleo histórico da vila do Cercal do Alentejo apresenta um traçado sinuoso formando vias de comunicação directas às terras de cultivo, onde se foram implantando as construções em banda. Os quintais, tão importantes para guardar alfaias, animais ou para a horticultura, desenvolvem-se radialmente e são confluentes em pontos de encontro, como o entroncamento ou o largo. Em 1991, Cercal do Alentejo foi elevado à categoria de vila.