População: 500 habitantes (Fonte: http://www.ine.pt/)
Área: 26,18 Km 2
Localização:
Freguesia situada a 6 Km de Santiago do Cacém, é a mais pequena do município. A maioria da população vive em montes dispersos pelos campos.
Na aldeia de Santa Cruz é de assinalar a igreja datada do século XV de arquitectura rural, enquadrada na paisagem.
As Ademas constituem o lugar da freguesia que mais tem crescido a nível habitacional.
História
A data da criação da Freguesia de Santa Cruz permanece ainda desconhecida da história local, embora a sua constituição possa ter ocorrido na primeira metade do século XIV, durante o período em que a bizantina D. Vataça Lascaris foi donatária da Comenda de Santiago do Cacém e trouxe a venerável relíquia do Santo Lenho para a igreja matriz - um pedaço da Cruz de Cristo -, o que pode explicar a origem da criação e denominação do orago da freguesia (1).
Nos finais do século XV ou nos primeiros anos do século XVI, a freguesia deve ter-se desenvolvido o suficiente para que fosse construída ou reconstruída a igreja ou ermida então existente, o que fez com que o altar-mor fosse embelezado com uma notável peça de escultura, de um bom mestre, talvez flamengo ou que trabalhava à maneira flamenga, com a representação da imagem do orago da freguesia, ou seja, com a representação de uma Cruz do Calvário com um Cristo Crucificado.
No século XVIII, concretamente em 1758, a freguesia foi amplamente descrita num "relatório" elaborado pelo pároco de Santa Cruz, em resposta a um questionário enviado a quase todas as paróquias do reino: nesse relatório, refere-se, entre outras coisas, que o terramoto de 1755 apenas havia danificado dois montes e o telhado e a parede sul da igreja; que a igreja possuía, para além do altar-mor, o altar de Nossa Senhora do Rosário e as imagens do Menino Jesus, Santo António, S. José, Santa Teresa e as Irmandades do Rosário e das Almas; que existia a Fonte do Nabarro e a Fonte Telhada, de onde havia saído "miraculosamente" o ouro com que se fizera a primeira coroa de Imperatriz da Festa do Espírito Santo, em Santiago do Cacém; que apenas possuía dois moinhos de água, que apenas moíam no Inverno; que a população residente era composta por 266 pessoas; que a povoação se achava ao lado da igreja, onde se situavam as casa de residência (do pároco ?) e do sacristão e de mais três vizinhos.
No século XIX, concretamente no dia 11 de Novembro de 1858, a freguesia voltou a ser vítima de um outro terramoto, o que provocou grande ruína no templo e obrigou os fregueses a deslocarem-se à igreja de Nossa Senhora do Monte, em Santiago do Cacém, para ouvirem missa. Por outro lado, na mesma centúria verifica-se um aumento considerável no número de habitantes e no número de fogos existentes: em 1850 a freguesia passa a ter 104 fogos, 15 dos quais desabitados - contando a aldeia apenas com cinco fogos - e 392 pessoas, de ambos os sexos. Em 1863 este número aumenta, passando a freguesia a contar com 430 pessoas ( 235 do sexo masculino e 195 do sexo feminino ), embora com uma diminuição no número de fogos, que passaram para 103, registando a aldeia apenas quatro fogos.
No último quartel do século XX, a freguesia de Santa Cruz sofreu algum desenvolvimento urbanístico, que se traduziu no aumento do número de fogos na aldeia e no consequente aumento da população.
(1) Deve-se acrescentar que a própria igreja de Santa Cruz era uma filial da igreja matriz de Santiago do Cacém e que estava sob a sua dependência.