
No dia 26 de outubro, pelas 11h00, acontece o lançamento do livro “Que grande novidade! O primeiro automóvel em Portugal”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada com ilustrações de Pedro Brito, na Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca, em Santiago do Cacém. O livro nasce de um convite feito pelo Município às duas escritoras para “contarem” a história deste acontecimento único para o público mais jovem.
“Que grande novidade! O primeiro automóvel em Portugal” é uma edição especial que será oferecida aos alunos do 2.º ciclo do ensino básico dos quatro agrupamentos de escolas do concelho (Cercal do Alentejo, Santiago do Cacém, Santo André e Professor Arménio Lança, em Alvalade).
O livro assinala a chegada do primeiro automóvel a Portugal, precisamente há 131 anos. Foi no dia 12 de outubro de 1895, que desembarcava em Lisboa o primeiro automóvel importado para Portugal. Com uma velocidade máxima de 15 km/h, o Panhard & Levassor demorou três dias a realizar a viagem histórica para Santiago do Cacém, marcada por um conjunto assinalável de peripécias.
Proveniente de Paris, o Panhard & Levassor foi esperado com impaciência por D. Jorge d’Avillez, um jovem aristocrata de Santiago do Cacém. A entrada desta estranha “mercadoria”, na Alfândega de Lisboa, suscitou, desde logo, a dúvida sobre que taxa aduaneira aplicar: seria uma máquina agrícola ou um locomóvel (máquina movida a vapor)? Optou-se por esta última definição.
Depois da montagem das várias componentes numa oficina de carruagens e da colocação em marcha do seu motor de explosão, o Panhard & Levassor iniciou a sua primeira viagem – que foi também a primeira viagem de automóvel em solo português − com destino à casa D’Avillez, em Santiago do Cacém.

À entrada da vila de Palmela, surge um burro no meio da estrada, que se recusou a arredar com a sua típica teimosia. O choque é inevitável e o atropelamento resultou na morte do animal. O proprietário foi então compensado da sua significativa perda com a quantia de dezoito mil réis, o triplo do valor de um burro naquela época.
Três homens protagonizaram esta aventura: D. Jorge D’Avillez, Jules Phillipe (engenheiro na região) e Hidalgo Vilhena, outro santiaguense, pioneiro na arte fotográfica da época.
A chegada do Panhard & Levassor a Santiago do Cacém causou um grande entusiasmo e pasmo entre os habitantes da localidade. A receção foi um misto de receio, espanto, curiosidade e admiração, que viria a originar a típica atribuição da primeira alcunha à “coisa” – O GASOLINAS.
Atualmente, o Panhard & Levassor encontra-se em exposição no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, após ter sido restaurado pelo Automóvel Club de Portugal, que detém a sua propriedade.